Estação Ferroviária de Bananal será restaurada com recursos federal, da Lei Aldir Blanc, e estadual, do ProAC-SP


Intervenção liderada pela Kruchin Arquitetura busca preservar uma das mais importantes construções históricas de Bananal e transformá-la em espaço cultural, gastronômico e turístico

Por Ricardo Nogueira | da Redação 

A histórica Estação Ferroviária de Bananal, um dos mais emblemáticos patrimônios arquitetônicos do Vale Histórico, deverá passar por um amplo processo de restauração e reabilitação, com investimento, segundo a prefeitura, estimado em cerca de R$ 2 milhões, dentro de uma articulação que envolve recursos de fomento cultural estadual e federal.

O projeto de intervenção é liderado pela Kruchin Arquitetura, Consultoria e Projetos, especializada em restauração de patrimônio histórico. A proposta denominada “Execução de Restauro e Reabilitação da Antiga Estação Ferroviária de Bananal” foi selecionada no Edital Fomento CultSP – PNAB nº 13/2025, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O projeto recebeu nota 9,5 na seleção.

A seleção oficial representa um passo importante para a recuperação do prédio, que é tombado pelo CONDEPHAAT desde 1974 e possui características construtivas excepcionais.

Uma construção única no patrimônio ferroviário

Inaugurada no final do século XIX, a estação foi construída com estrutura metálica pré-fabricada importada da Bélgica. O edifício é formado por placas metálicas encaixadas e constitui um exemplar extremamente raro da chamada arquitetura do ferro.

O próprio Atlas de Monumentos Históricos e Artísticos do Brasil, do IPHAN, destaca a Estação Ferroviária de Bananal como uma edificação totalmente metálica e um exemplar excepcional dessa tecnologia no patrimônio ferroviário brasileiro.

Segundo informações que acompanham o projeto de restauração, o prédio de 1888 possui aproximadamente 2 mil placas de ferro encaixadas, o que exige uma intervenção especializada e cuidadosa para evitar danos à estrutura histórica.

A importância do imóvel também é reconhecida pelos estudos de tombamento do CONDEPHAAT. O processo de proteção da estação teve início no final dos anos 1960, sob o processo nº 15.465/69, sendo posteriormente oficializado o tombamento estadual.

Restauro exige desmontagem técnica e controle da corrosão

De acordo com as informações técnicas apresentadas pela equipe responsável, a recuperação não se limita a uma reforma convencional.

Entre as etapas previstas estão a remoção controlada do telhamento, para reduzir o peso sobre a estrutura e permitir acesso às conexões superiores; o escoramento emergencial do esqueleto metálico; e a desmontagem parcial de placas de vedação comprometidas, permitindo a análise do sistema estrutural oculto.

Outro ponto considerado fundamental é o controle da corrosão. Serão realizados estudos e ensaios técnicos para avaliar a ferrugem encontrada nas placas de base e nos perfis estruturais.

A proposta prevê ainda a recuperação ou reposição de elementos metálicos danificados, além de procedimentos de calafetação para impedir novas infiltrações de água.

No interior do prédio estão previstas intervenções como a recuperação ou reexecução de portas e janelas de madeira, implantação de novas redes elétricas e hidráulicas e adequações para garantir acessibilidade.

Preservar a história sem descaracterizar o prédio

Por se tratar de um bem tombado, a restauração deverá respeitar as diretrizes estabelecidas pelos órgãos de preservação.

Entre os princípios apresentados para a intervenção está a preservação da autenticidade material da construção. Isso significa que elementos históricos não devem ser simplesmente substituídos por materiais modernos sem justificativa técnica.

Outro princípio é evitar a descaracterização ou mutilação do imóvel, preservando sua volumetria, cobertura e fachadas metálicas.

Também deverá ser observada a reversibilidade das novas intervenções. Instalações e reforços contemporâneos devem, sempre que tecnicamente possível, permitir futuras remoções sem comprometer a estrutura original.

Essa preocupação é particularmente relevante porque a Estação de Bananal é reconhecida como um dos raros exemplares brasileiros da arquitetura ferroviária em ferro. Estudos históricos apontam sua excepcionalidade entre os bens ferroviários tombados no Estado.

Recursos de diferentes fontes

A recuperação está inserida em uma estrutura de financiamento que combina mecanismos de fomento cultural.

Uma das frentes é a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, operacionalizada no Estado por meio dos programas de fomento cultural.

A proposta de restauro da estação aparece oficialmente entre os projetos selecionados no Edital Fomento CultSP – PNAB nº 13/2025, tendo como proponente a Kruchin Arquitetura, Consultoria e Projetos SS e Bananal como cidade do imóvel.

O projeto também se relaciona à política estadual de preservação e valorização do patrimônio protegido pelo CONDEPHAAT.

Importante: os documentos oficiais consultados confirmam a seleção do projeto, mas não apresentam, no trecho publicado, o valor global de aproximadamente R$ 2 milhões. Esse montante é indicado nas informações do projeto fornecidas para esta reportagem e, portanto, deve ser entendido como estimativa do investimento total previsto, e não como valor de um único repasse público.

Prefeitura pretende dar nova função ao espaço

Além da recuperação física do patrimônio, a proposta busca devolver à estação uma função estratégica para Bananal.

A intenção é transformar o espaço em um centro cultural, gastronômico e turístico, integrando o patrimônio ferroviário à atividade turística e à economia local.

A iniciativa pode representar uma nova etapa na utilização de um imóvel que, ao longo de sua história, já teve diferentes funções após o encerramento das atividades ferroviárias.

A estação foi incorporada à rede ferroviária federal no século XX e o ramal ferroviário acabou sendo desativado em 1964. Posteriormente, o prédio chegou a funcionar como sede dos Correios e como rodoviária do município.

Patrimônio como vetor de desenvolvimento

Para Bananal, a restauração tem importância que vai além da recuperação de um prédio histórico.

A Estação Ferroviária integra o conjunto de elementos que ajudam a contar a história do período de expansão econômica proporcionado pelo café e da implantação da ferrovia no Vale do Paraíba.

A recuperação do imóvel poderá contribuir para ampliar a oferta de equipamentos culturais e turísticos, fortalecer o turismo histórico e criar novas possibilidades de utilização do patrimônio pela população e pelos visitantes.

Com o investimento estimado em aproximadamente R$ 2 milhões, a expectativa é que a intervenção permita recuperar a estrutura histórica, preservar suas características originais e, ao mesmo tempo, preparar o espaço para uma nova fase na história de Bananal.

A Estação Ferroviária, construída no século XIX para representar a modernidade de seu tempo, poderá voltar a ocupar um lugar de destaque na vida cultural e turística da cidade — agora como patrimônio restaurado e espaço de convivência para as próximas gerações.



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