Com emoção, repertório consagrado e intensa participação do público, Bananal celebrou o legado de Clara Nunes.
Por Ricardo Nogueira
A cantora Renata Jambeiro transformou a Praça Rubião Júnior (Largo do Rosário), no centro histórico de Bananal, em um grande encontro de celebração à arte brasileira durante seu espetáculo "Mestiça" em homenagem a Clara Nunes. Na noite do sábado (29/11), com carisma, potência vocal e presença marcante, a intérprete contagiou o público do início ao fim — e protagonizou um dos momentos mais intensos da noite ao descer do palco durante o "bis", cantando entre as pessoas na praça.
Mais do que um show musical, Renata apresentou ao público um projeto à disposição da cultura, que dialoga, interage e contagia. A começar pela entrada no palco, com a artista performando, descalça, pela praça, antes de subir ao palco. (Assista abaixo - Imagens, Cacá Arnaud)
O público desfrutou de brilhantes interpretações de clássicos do repertório de Clara Nunes, como “O Canto das Três Raças”, "Guerreira", "Juízo Final", “Ê Baiana”, “Ilu Ayê”, "Tristeza Pé no Chão", "Menino Deus", “Feira de Mangaio” e “Portela na Avenida”, entre outros sucessos que marcaram gerações e reforçaram a força da obra da cantora homenageada.
A emoção esteve presente do início ao fim, mas alcançou seu auge no momento do "bis". Atendendo ao pedido caloroso do público, Renata Jambeiro escolheu interpretar nada menos que “Um Ser de Luz”, uma das canções mais simbólicas em tributo a Clara Nunes. No trecho final, sensibilizada, ela entoou: “Sabiá, que falta faz sua alegria, sem você meu canto agora é só melancolia. Canta meu sabiá. Voa meu sabiá. Adeus meu sabiá. Até um dia.”
O público pôde ver e sentir de perto a emoção da cantora, que, entre lágrimas e altivez, entregou uma interpretação à altura da grande homenageada. Caminhando entre as pessoas, Renata tornou o momento ainda mais íntimo e simbólico, reforçando o elo entre artista, plateia e memória cultural.
Para Renata, falar de Clara Nunes é revisitar as próprias raízes e celebrar a força da cultura brasileira. “É falar de um Brasil genuíno, muito potente, e que muitas vezes é difícil de acessar”, afirmou. Levar esse projeto pelo interior de São Paulo — e para outras regiões — tem sido, segundo ela, um grande presente.
Em suas redes sociais, a artista enfatiza que a proposta vai além do entretenimento ou da simples execução das canções: trata-se de uma leitura artística própria, que abre espaço para conversas e reflexões.
Depois da apresentação, Renata participou da roda de conversas conduzida pelo Educador e Escritor Jessé Castilho, abordando temas atuais ligados ao feminino e às pautas sociais que dialogam com o legado de Clara Nunes.
A apresentação em Bananal terminou com a sensação de que o desafio de homenagear um legado grandioso foi cumprido com louvor, carregado de música, emoção e um profundo sentimento de pertencimento cultural.
A cantora externou a vontade de voltar a se apresentar em Bananal. E o público clamou por esse retorno.


