Alunos perderam aulas, trabalhos e provas; famílias cobram solução e dizem ter recebido respostas de que o transporte de universitários "não é obrigação da Prefeitura"
Por Ricardo Nogueira
Na fase mais intensa do ano letivo, universitários de Bananal enfrentam um desafio inesperado: a interrupção do transporte cedido pela Prefeitura para instituições de ensino em Volta Redonda-RJ. O ônibus, que tradicionalmente faz o trajeto para atender estudantes de cursos superiores, deixou de circular nas últimas 4 semanas, justamente quando disciplinas são aceleradas, prazos de trabalhos apertam e provas decisivas são aplicadas.
Áudios enviados a grupos de alunos e encaminhados à Gazeta de Bananal revelam um clima de preocupação e frustração. Muitos relatam ter perdido avaliações importantes e sentirem que o esforço de um ano inteiro está comprometido. “Paguei o mês inteiro sem ter assistido uma aula sequer”, desabafou um estudante.
Pais também se mobilizam em busca de alternativas e afirmam ter recebido respostas como a de que a gestão municipal “não tem obrigação” de fornecer transporte para alunos de ensino superior. De fato, não há legislação que imponha esse dever ao poder público. No entanto, para as famílias, a questão vai além da obrigação formal e recai sobre um compromisso político assumido.
Durante a campanha que o levou ao primeiro mandato, o prefeito William Landim da Silva fez declarações públicas garantindo que manteria o transporte universitário. Em um vídeo de campanha gravado especialmente sobre o tema, o então candidato afirmou que conhecia profundamente a importância do serviço, pois ele próprio só conseguiu concluir o curso de Direito graças ao transporte oferecido à época. O registro gerou expectativas e consolidou o entendimento de que o benefício seria preservado como política contínua.
A retomada do transporte foi abordada nas sessões de Câmara deste mês de novembro. Em pronunciamentos no plenário, o vereador Pedro Luiz (PSD) mencionou o problema dos universitários e solicitou que o Executivo resolvesse o mais rápido possível, tendo em vista os exames do final de ano. Recentemente, a vereadora Isabella Bastos Nogueira (Solidariedade) abriu o stories de seu Instagram para manifestação dos estudantes prejudicados. "Estou tendo que gastar com Uber para ir. E quando tem carona, ajudo na gasolina. Muito gasto", se manifestou um. Outro escreveu: "Estou tendo que tirar dinheiro do bolso pra ir na faculdade, e estou em semana de prova".
Estes gastos impactam os orçamentos das famílias dos estudantes que ainda conseguem encontrar maneiras de chegar nas faculdades. No entanto, a maioria não tem recursos financeiros e os universitários são obrigados a perder aulas e provas.
Com o ônibus parado e o ano letivo em sua etapa decisiva, estudantes e responsáveis aguardam uma posição concreta da Prefeitura e a retomada urgente do serviço, para evitar que prejuízos acadêmicos prejudiquem ainda mais a reta final dos estudos.

