Bananal: Moradores denunciam algazarra no entorno da Praça Pedro Ramos nas madrugadas de fins de semana


Órgãos que, no passado, faziam exigências severas para funcionamento de clubes, boates e tem regras para eventos populares como o Carnaval, agora são omissos quanto a algazarras que varam madrugadas em pleno centro histórico 

Por Ricardo Nogueira 

Moradores da região central de Bananal têm manifestado crescente indignação com a intensa algazarra registrada durante as madrugadas de fins de semana na Praça Pedro Ramos, em frente à Igreja Matriz. Segundo relatos, a combinação de som alto, aglomeração de jovens no coreto e frequentes episódios de brigas e corre-corres pelas ruas do entorno vem transformando o ambiente, antes tranquilo, em motivo diário de preocupação.

O cenário é o oposto ao de décadas atrás, quando o município historicamente adotava postura rígida quanto ao controle de ruídos e eventos noturnos. Bananal chegou a fechar um clube por falta de isolamento acústico e limita festas populares, incluindo o Carnaval, a, no máximo, 2h da manhã. Para muitos, é surpreendente que a cidade agora seja vista como “conivente” com a desordem que toma conta da praça principal.

Moradores relatam que o problema não é recente. Situações semelhantes ocorriam na “Praça da Estação”, onde grupos se reuniam para beber, ouvir música e permanecer até o amanhecer. Após uma ação policial no local, o movimento migrou para a praça central — desta vez, com número muito maior de pessoas, ampliando o incômodo e a sensação de insegurança. (Assista no vídeo abaixo)

Imagens obtidas pela Gazeta de Bananal reforçam os relatos. Em registros feitos recentemente, é possível ver uma briga na Rua Ernani Graça, no centro histórico, e outra — envolvendo jovens mulheres — na própria Praça Pedro Ramos, onde a confusão se instala com facilidade diante da ausência de controle e fiscalização.

Registros para investigações não devem faltar, porque a área urbana de Bananal está repleta de câmeras de segurança, que certamente registram todo o tipo de movimentação nos logradouros.

Há vários relatos de consumo ostensivo de bebidas alcoólicas e outras substâncias, supostamente envolvendo menores de idade. O clima de tensão se intensifica com episódios de confrontos físicos entre frequentadores e corridas desordenadas pelas ruas, assustando moradores e prejudicando quem vive ou trabalha no entorno.

Outro ponto recorrente é a percepção de falta de policiamento ostensivo nas madrugadas. Segundo moradores, a presença policial é insuficiente para coibir excessos e restabelecer a ordem. Soma-se a isso a crítica à ausência de medidas efetivas das autoridades locais — incluindo o Ministério Público — na defesa dos direitos difusos e coletivos relacionados à tranquilidade pública.

Ofício de vereadores solicita reunião urgente sobre segurança pública

Diante do agravamento do problema, os vereadores Isabella Bastos Nogueira e Pedro Luiz Santos da Fonseca encaminharam o Ofício nº 010/2025, datado de 2 de dezembro, a diversas autoridades, solicitando uma reunião interinstitucional urgente para tratar especificamente das questões de segurança pública que vêm afligindo os moradores de Bananal.

O documento é dirigido ao Prefeito Municipal, ao Presidente da Câmara, ao Delegado de Polícia Civil, ao Comandante da Polícia Militar, aos representantes do Conselho Tutelar e do CONSEG. No texto, os vereadores afirmam ter recebido “diversas demandas referentes a episódios de insegurança, situações envolvendo crianças e adolescentes, além de ocorrências que exigem atuação integrada dos órgãos de proteção, prevenção e repressão”.

O ofício destaca que a reunião tem como objetivo alinhar informações, construir estratégias conjuntas, fortalecer a cooperação institucional e definir ações práticas capazes de garantir maior segurança à população e assegurar o cumprimento das políticas públicas relacionadas à proteção social e à segurança no município.

O encontro está agendado para o dia 9 de dezembro de 2025, às 18 horas, na Câmara Municipal de Bananal, e cópia do documento foi encaminhada ao Ministério Público para ciência e eventual participação.

A Gazeta vai acompanhar os desdobramentos, já que a iniciativa também servirá para avaliar o grau de interesse e compromisso dos órgãos convidados na busca de soluções para o problema que há semanas tira o sono de dezenas de famílias no centro histórico.

Incertezas sobre providências

Moradores ouvidos afirmaram não saber se houve registros formais de queixa junto às polícias Civil ou Militar, ou encaminhamentos específicos ao Ministério Público. Muitos dizem ter conversado informalmente com alguns vereadores, mas desconhecem se ações concretas, além do ofício, já estão sendo adotadas ou planejadas.

Enquanto isso, a rotina no centro histórico segue marcada por noites mal dormidas e pela sensação crescente de que a paciência coletiva está chegando ao limite, à espera de respostas efetivas para devolver a tranquilidade à principal praça de Bananal.

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