Ato no Centro da cidade integrou movimento nacional que tomou as ruas do país para romper o silêncio e defender o direito das mulheres viverem com liberdade, respeito e segurança
Por Ricardo Nogueira, com informações da Agência Brasil
Bananal participou no domingo (7/12) da mobilização nacional contra o feminicídio, juntando-se a milhares de mulheres e homens em diversas cidades brasileiras que denunciaram o avanço dos casos de violência de gênero e exigiram medidas mais duras de proteção às mulheres. (Assista abaixo - Imagens: Cláudia Macedo)
Pelas ruas do Centro, um grupo de moradores caminhou exibindo cartazes com mensagens de apoio, acolhimento e luta, como “Você não está só. Denuncie 180”, “Nenhuma violência a mais. Nenhuma mulher a menos”, “Hora de mudar. Chega de violência”, “A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura” e “Acredito profundamente na habilidade dos humanos de se reiventarem e se tornarem melhores”.
Em Bananal, a caminhada deste domingo se somou ao coro nacional que exige o fim da violência, políticas públicas eficazes, campanhas permanentes de prevenção e um Estado mais atuante na garantia da vida e da liberdade das mulheres. A mensagem deixada nas ruas foi clara: a sociedade não aceitará mais a impunidade — e continuará mobilizada até que nenhuma mulher seja perdida para a violência.
Mobilizações em São Paulo e no Brasil
As manifestações em todo o país reuniram mulheres de diferentes idades, origens e trajetórias, mobilizadas por coletivos, movimentos sociais e organizações feministas, com o objetivo de romper o silêncio, exigir justiça e defender o direito de todas a viver com liberdade, respeito e segurança. “Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas” foi o lema que ecoou nas principais capitais e também em municípios do interior.
A convocação nacional ocorreu após uma onda recente de feminicídios que chocou o país. Os números reforçam a gravidade da crise: 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica nos últimos 12 meses, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero. Só em 2024, foram registrados 1.459 feminicídios, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. Em 2025, o Brasil já ultrapassou 1.180 casos, além de quase 3 mil atendimentos diários pelo Ligue 180, conforme dados do Ministério das Mulheres.
Em São Paulo, a Avenida Paulista foi tomada por milhares de pessoas, e temas estruturais relacionados à violência de gênero — legislação, respeito, educação e combate ao discurso de ódio — pautaram as falas e os cartazes.
A professora Jessica Torres, 39 anos, destacou a importância da visibilidade da luta.
“A misoginia fere o direito da mulher de existir. Trabalhamos isso desde o ensino infantil, porque as crianças reproduzem comportamentos de casa, inclusive os discriminatórios. É preciso mostrar, com carinho e cuidado, o que são atitudes misóginas. Queremos apenas ser livres.”
A pedagoga Fernanda Prince, 34 anos, que leciona para crianças de 6 a 8 anos, reforçou a necessidade de discutir o tema desde cedo.
“Eles entendem muito fácil. Brinquedo de menina, brinquedo de menino… ali começam as sementes, para o bem ou para o mal. Estou exausta. Com tantos feminicídios e tanto discurso de ódio nas redes, não dá mais para ficar em casa.”
Para Maria das Graças Xavier, 58 anos, militante do movimento de moradia, a mobilização nacional foi um marco.
“É machismo estrutural. Precisamos quebrar o patriarcado. Este ato foi convocado em menos de dez dias e aconteceu no país inteiro. A urgência é enorme, principalmente nas periferias, onde vemos mulheres machucadas e mortes porque homens não aceitam a igualdade.”
A comerciante Lilian Lupino, 47 anos, defendeu leis mais severas.
“Existe uma cultura milenar de opressão às mulheres. Muitas morrem aos poucos com terrorismo psicológico, por falta de espaço na sociedade, dentro de casa, no trabalho. Falta punição rigorosa. Os homens ainda se sentem protegidos.”


